Sobre o que tem sido chamado de Deus

Tenho desgosto por cada forma de Deus que pode ser
E é, facilmente transcrita em algoritmo
Como raiva também do Deus que precisa de uma cédula
por onde enxergue a mão generosa de seu fiel

Olho para estes deuses e sei que não existe nada ali
para ser cantado, encontrado, amado, abstraído ou sentido
Não, não há nada ali, nem vazio

Não somos o que somos pelo medo do inferno que se aproxima
Nem devemos esperar um paraíso mascarado de eterno
Que não é eterno, é apenas sem fim
Sem fim de ser um tempo de desperdício que não acaba mais
Uma recompensa sem fim para o homem que viveu uma barganha

Antes uma gota de vida, mesmo que dura,
que um lote num céu comprado

Me desculpem se parece que falo contra alguma fé
Não falo contra fé nenhuma, nem mesmo dessa vez falo de fé
Ou de Deus
Como também não falam de Deus aqueles que o vendem

Escutem: ser eterno é essa ausência de medida onde a medida nasce
E onde a medida se extende, se alarga e encontra com outras medidas
Só se encontra o que se procurou, só se procura o que não há
Cantem cantigas sobre Deus, nada mais belo
Mas não barguenhem para Encontrá-lo

Teles Maciel

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2 thoughts on “Sobre o que tem sido chamado de Deus

  1. Gosto da ideia de algo que está em nós, isso contraria o cristianismo, mas nos acalenta do imaginário da entidade superior que nos amedronta SIM do “[…] somos o que somos pelo medo do inferno que se aproxima”, é nossa “herança do passado”, de família, apenas reproduzimos à maneira que fomos criados, daí basta cada um a escolha de seguir ou não esse berço. Pensei sobre igrejas e religiões hoje ao retornar para São Paulo, li: “Bola de Neve Church” e logo mais a frente outra igreja dizia: “Jesus one way”. Isso em pleno interior… Como Zeca Baleiro disse: “O mercado tá de olho é no som que Deus criou!”. Está na moda, é legal ser evangélico, os cultos são legais, animados e “o palco é no formato de prancha de surf!” (essa última eu ouvi do meu primo. Acredite!). Barganhadas? Essas existem há muito tempo, mas não para encontrá-Lo e sim pelo encontro da própria barganha!

  2. Nágela, você sempre aparece aqui pra deixar um comentário. Obrigado :)Longe de mim achar que qualquer coisa é menos valiosa por ser alegre, ter canções e etc… mas ainda fico com a sensação de que em muitas igrejas se prega um estilo de vida diferente daquele vivido pelos seus modelos, como Jesus, por ex.Acho que amor e fé são coisas dadas de presente, sem que se espere nada em troca :)Obrigado, novamente

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