Chove

Por que eu conheceria à mim mesmo
Eu que nunca me fui apresentado
Senão pela histeria dos outros
Senão pela anarquia triste do dinheiro
Ou quem sabe pela pele roxa da solidão

Mas não para de chover
E talvez porque não pare de chover
Eu me sinta assim
Secretamente irmão das coisas
Que não tem irmão
Invisível para mim mesmo através
Dos meus próprios olhos
Olhando de dentro e de fora

É o bastante estar aqui, eu sei
Porque o tempo está sempre ocupado
Não reclama das estações e seus tamanhos
Não torna a luz maior ou menor por vaidade

Dirão o que?
‘Apenas passou aquele homem, como o vento
Pela casa aberta’
Ou coisa menos bonita que essa
‘Ele amou, gritou, teve filhos e sobreviveu’
Se é que isso importa

Venha me ver, estou dormindo
Em meu quarto dentro de mim
Embaixo do telhado e da fachada acrílica
Do cobertor estéril e por sobre a cama
Farta
Enquanto chove

Teles Maciel
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