Sp invisível

Sp invisível
Eu parado num canto
Engolindo o pranto
Esperando passar

As horas, os dias
As semanas, as filas
Essa gente mesquinha
a me desdenhar

Sou pacato, tranquilo
Bebo meu passatempo
caso a noite o tormento
Eu não aguentar

São passadas novelas
guarda-chuvas e janelas
Passarelas ou vielas
onde vou me enfiar

E na noite tão fria
não tão quanto de dia
Eu me aqueço num canto
e não me esqueço do canto
Para não mais chorar

Essa é uma singela homenagem à página https://www.facebook.com/spinvisivel

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Um poema sobre o amor

Para que mais um poema sobre o amor
se o que sinto já foi transcrito por milhares…
poetas, músicos, escritores e pintores?

Um sentimento exaurido pela humanidade,
com o mais simples despertar
e o mais óbvio fim.

Observado de todos os ângulos, perspectivas e maneiras.
Colocado à prova pelos cientistas e teóricos,
mas presente no coração de todos que o testam.

É estranho observar que mesmo com toda essa carga anterior,
toda experiência vivida e repassada, há quem sofra por amor.
Há quem se desespere e deixe de dormir.

Diminua sua capacidade de reflexão à apenas sua paixão.
Escute nas músicas, leia nos poemas e observe na arte,
não o que foi deixado para o futuro,
mas o que o aflige no presente.

Se há algo questionável, não é o amor,
mas a fragilidade do homem perante ele,
a cegueira que este o causa,
fazendo-o cair em tantas armadilhas conhecidas.

É como o veneno que mata, como álcool que inebria,
como a luz que cega e o sol que queima.
É inevitável, impreciso, doloroso e imprevisível.
Por isso é desnecessário mais um poema sobre o amor…

Uma xícara de café

E em nome da felicidade eu lhe tomo
os males do cansaço me espantas
passa de bebida à poção,
de preguiça à tensão.

Um gole de êxtase instantâneo
e me embriago de lucidez
num ritual discreto,
mas repleto de magia.

E depois de tantas doses,
num movimento transformado em reflexo,
tenho meu cuspe escurecido
pelos seus grãos torrados.

Aos homens que o encontraram,
aos homens que o plantaram,
aos homens que o colheram e
aos homens que o torraram.

Grato, bebo e faço dessa
minha dose diária
de tudo aquilo que preciso
no meu dia de operário.

O Vão.

Entre a igreja e a boemia
existe um vão.
Nesse vão não se vê insanidade,
nesse vão não se vê religião.

É provável que nesse vão
haja tristeza, medo,
incerteza talvez
e é nele que me encontro.

Longe da cegueira etílica
e dos que a pregam para o irmão,
mas perto de um ponto em comum
entre a destreza e a cética razão.

Medos e Desejos

Aqui estou, nada além disso.
Posso mentir a seu respeito,
mas isso não me contenta.
Já passei dessa fase
de mentir para mim mesmo
palavras de contraste.

Não tenho medo do escuro
passei minha vida inteira
sonhando ao lado dele.
Mas sim do claro
que me expõe ao máximo
aos olhos que me julgam.

De dia que vejo seus pecados
e nada me impede
de dizer que deles gosto.
Julgam-me ao dizer que peco,
neste pequeno fato de admiração.
Então volto para o escuro
e aqui, nada é proibido.

Nada é proibido,
tudo é possível.
Mandam e desmandam
ao sabor da libido.

Lágrimas

Não me faça pensar duas vezes,
a não ser que no sonho seja você.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
e em cada gota há o sal da solidão.

Não me faça chorar,
pois de sentimentos eles se contorcem
e geram aquilo que chamo de
doce néctar dos infectados pelo amor.

Na alma de um apaixonado há um vazio
que não se completa com qualquer peça
e jamais se fechará caso cicatrize-se .
Na mancha do qual eu falo, vejo seus olhos

Seus olhos fecham-se para mim
e jamais te encontrarei.
Neste mundo vazio de esperanças
e cheio de peças incompletas.

Engolidor de donzelas

Meus olhos são engolidores de donzelas.
Enquanto elas menos esperam
já estão em meus sonhos,
digeridas por segundas intenções,
enquanto durar meu estoque de romance.

Jamais tive vontade de evitá-los,
pois de quereres não passam,
devido a um forte escudo
que tenho em meus braços.

Escudo este que me protege de dar de cara
com aquilo que não quero: A verdade…
De não poder amar a quem eu quero,
de almejar mais do que posso,
da vontade de derreter-me em seus ventres
e sugar toda sua vitalidade
após uma noite de felicidade.

Mas voltando ao que sou,
esqueço meus planos,
para, quem sabe, uma donzela
arrisque-se a fugir de minha mente,
enfrente essa muralha que se chama timidez
e encontre no fundo do castelo
um vestígio de emoção.
Antes que acabe tornando-se pó
aquilo que eu jamais pude dar à alguém.